terça-feira, 29 de novembro de 2011

Perdida


Perdida aqui no meio do nada. Sem saber o que fazer.
Sem uma função. Sem uma direcção. Sem uma razão.
Sem a capacidade para ajudar. Sem a capacidade para nada.
Sem valor.
Sem conseguir parar de pensar por que existo.
Sem saber porque não parto.
Sem querer falar. Sem querer ouvir.
A querer fazer falta a alguém.
Mas não faço.
A querer ser importante.
Mas não sou.
A querer ser alguma coisa.
Pensei que podia vir a ser útil.
Não sou. Nunca serei.
Estou perdida.
Não mereço ser encontrada.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Incompleto...


Há algo que quero deixar no passado, onde já está. Está ali, escondidinho, onde ninguém o pode encontrar...
Escondido. Na escuridão. Quase esquecido. Mas sei que lá está. Cheio, de pó, quase invisível.
Mas, de quando em vez, ainda me lembro.
Ocupa espaço no meu ser. Ocupa um espaço que deveria estar reservado para outras coisas.
De que me adianta ignorar, tentar fingir que algo nunca existiu, quando eu sei que existe. Está ignorado. Não está esquecido.
Que tenho eu de fazer para me libertar de uma vez por todas? Para poder olhar para trás e não ver nada.
Para esquecer
Talvez falta um determinado acontecimento na minha vida. Algo que me faça acreditar que nunca mais lá regressarei.
Espero ansiosamente por esse dia.
Esse dia chegará.
Estou preparada para ele.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um Daqueles Dias...


Sempre lutei para ser perfeita.
Aprender com os erros. Não cometer o mesmo erro duas vezes.
Nem sempre consegui aprender. Tive algumas falhas.
Ainda procuro essa perfeição. Mas não a encontro. São erros atrás de erros. Falhas atrás de falhas.
Ainda me falta algo.
Queria poder olhar-me ao espelho e não ter nada a apontar. Mas aponto. Vejo defeito atrás de defeito.
Como queria mudar. Anular-me.
Às vezes o que somos não chega. Eu não chego. Não. Para mim não.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Espaço


Às vezes penso sobre as minhas acções. Se fiz isto bem. Se fiz aquilo errado.
Se as decisões que tomei foram as mais correctas.
Lutei ao fim por umas coisas. Por outra nem tanto. Desisti de outras.
Terei desistido bem? Terá sido um teste? Será que após ter caído, o que se esperava de mim ela ter-me levantado? Mesmo que caísse muitas vezes. Que caísse até alguém se aperceber e ter coragem para me agarrar.
Não foi isso que eu fiz. Levantei-me e segui um outro caminho. O oposto.
Fiz o que tinha a fazer. Independentemente de ter sido o certo. Ou o errado.
A minha vida está preenchida. Não com o que queria, mas está.
Já não há espaço para mais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

No Horizonte


Quem me dera poder ver para lá do horizonte. Ultrapassar o desconhecido.
Buscar aquilo que nunca encontrei. Aquilo que existe mas está escondido.
Oh, se eu pudesse andar, andar, andar.
Passar aquela barreira que me prende à terra.
Estar onde realmente pertenço.
Encontrar quem realmente mereço.
Encontrar-me.

domingo, 22 de maio de 2011

Estou aqui...


Espero.
Espero um sinal. Mesmo que este seja mau.
Espero uma palavra. Por pior que ela seja.
Espero um gesto. Mesmo que me afaste.
Espero.
Espero por ti mesmo que não te tenha.
Estou aqui.
Vem ter comigo.
Mostra-se que sou de carne e osso. Mostra-me que sou a cores. Belisca-me. Mostra-me que eu existo. Mostra-me que tu ainda existes.
Faz com que tudo tenha valido a pena.
Quero que a tua presença na minha vida tenha significado algo.
Quero apagar os danos causados.
Quero lembrar-me somente do que foi bom.
Espero por ti.
Estou aqui.
Agarra-me. Liberta-me.
Faz algo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Trovoada



Nunca tive medo da trovoada.
A chuva, o escuro, o som os raios. Nunca nada disto me fez confusão.
Ontem, porém, gostava de ter tido medo da trovoada.
Tinha sido tão bom ter tido medo. Encolher-me. Refugiar-me. Enrolar-me num cobertor.
Ter alguém para me abraçar. Alguém que me dissesse ao ouvido "não tenhas medo... eu estou aqui". Alguém que se encolhesse comigo.
Mas não, não tinha ninguém. Não tenho ninguém.
Estive mais uma vez sozinha, a ignorar a trovoada lá fora.
Estarei sozinha nas próximas trovoadas.
Não terei medo. Serei corajosa.
Mas sozinha.