terça-feira, 19 de abril de 2011

Trovoada



Nunca tive medo da trovoada.
A chuva, o escuro, o som os raios. Nunca nada disto me fez confusão.
Ontem, porém, gostava de ter tido medo da trovoada.
Tinha sido tão bom ter tido medo. Encolher-me. Refugiar-me. Enrolar-me num cobertor.
Ter alguém para me abraçar. Alguém que me dissesse ao ouvido "não tenhas medo... eu estou aqui". Alguém que se encolhesse comigo.
Mas não, não tinha ninguém. Não tenho ninguém.
Estive mais uma vez sozinha, a ignorar a trovoada lá fora.
Estarei sozinha nas próximas trovoadas.
Não terei medo. Serei corajosa.
Mas sozinha.